
31 anos sem Clarice Lispector, sem sua presença física. Pois sua presença é constante, está totalmente imortalizada em seus complexos textos. A ucraniana judia, que chegou ao Brasil com a família em 1921, que fugiam durante o conturbado período de revolução. Clarice com apenas dois meses de idade, logo estaria no calor do Brasil, se comparado ao gelado país de onde viera.
Morou em Maceió durante um tempo, mas logo se mudou com a família para Recife, onde passou maior parte da infância e o começo de sua adolescência.
Seu primeiro contato com a literatura, de uma forma mais intensa, foi quando leu algum livro de Monteiro Lobato, certamente deve ter lido outros. Era só o começo da descoberta dessa arte de se expor e transpor através das letras.
Clarice começou a escrever cedo e aos 17 anos, começou a corrida atrás de alguém que a publicasse.
Em 1944 a editora recém fundada AGIR, publicou seu primeiro romance: Perto do Coração Selvagem.
Foi um fracasso essa publicação, eu poderia dizer esta obra, mas a obra jamais seria. Talvez Clarice era jovem demais e se arriscou de súbito no mundo da literatura ou o público ainda não estava preparado para uma escritora de tamanha perplexidade. Eu consideraria a segunda opção.

Certa vez, uma amiga minha que estudou comigo no 3º ano do ensino médio, leu por eu ter indicado a escritora, A Paixão Segundo G.H.. Ela odiou. falou mal do livro. Me surpreendi, pois ela confessou que só leu algumas páginas e desistiu, cansou. Eu nunca li essa obra, mas pretendo.
Segundo a revista 'Discutindo literatura', essa obra em questão realmente é um dos mais difíceis enigmas de Clarice. Você se perde ou se encontra. A maioria se perde na primeira leitura, ao não ser que esteja involuntariamnete preparado para infiltrar nas entrelinhas do texto.
Espero que seja isso o que ocorreu com essa minha amiga, que sei que é ótima leitora e cultua bons livros.
Certamente ela vai ler essa postagem e recordar desse fato.
OBRAS DA AUTORA:
_romances_
- perto do coração selvagem, 1944
- o lustre, 1946
- a cidade citiada, 1949
- a maçã no escuro, 1961
- a paixão segundo g.h., 1964
- uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, 1969
- água viva, 1973
- visão do explendor, 1975
- um sopro de vida, 1978
- a hora da estrela, 1977
_contos_
- alguns contos, 1952
- laços de família, 1960
- a legião estrangeira, 1964
- felicidade clandestina, 1971
- onde estivestes de noite,1974
- a bela e a fera, 1979
- a via crucis do corpo, 1964
_entrevistas_
- de corpo inteiro, 1975
_crônicas_
- para não esquecer, 1978
- a descoberta do mundo, 1974
_infantil_
- o ministério do coelho pensante, 1967
- a mulher que matou os peixes, 1968
- a vida íntima de laura, 1974
- quase de verdade, 1978
- como nasceram as estrelas, 1987
"perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais.
Não me era necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna e que até então impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um triplo estável.
Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui.
E voltei a ter o que nunca tive: posso caminhar. mas a ausência inútil da terceira me assusta, e era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesmo, e sem se quer precisar me procurar."
CL.

